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POEMA XII

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  Entre a ubiquidade de Deus Vive uma pomba Com o seu coração  dividido E a artéria aorta ligada Ao cântico dos cânticos E a pomba  beija o lado direito De Deus com a sua língua Santificada e dadora de vida Para que do seu ventre nasçam peixes E um belo homem louro Com uma coroa de espinhos Preparando o triunfo do sangue E o belo homem louro é um nardo Ardente nas coxas da amada Um homem multiplicador de pães Caminhante fazendo o seu caminho Sobre a superfície das águas Lado a lado com o basilisco Numa mão levando a espada Noutra o vermelho hibisco -Porque ele sabe que o amor e a beleza Estão destinados à morte- Caminhando também pelas montanhas Onde se prolongam as bem aventuranças O sal e  as palavras. Pai, porque fizeste do belo homem louro O. branco cordeiro do sacrifício ? Já não serves para nada Pai És um sapato roto Esquecido numa vereda Um pó negro de trigo Entre as pedras de ferro Escondido que estás na escuridão Não passas de um trovão maldoso De que as cri...

TIVE TANTOS SONHOS ENTRE AS MINHAS MÃOS

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 Tive tantos sonhos entre as minhas mãos Mas perdi-os Outros guardei-os Mas não sei onde estão. Ando à sua procura. Talvez estejam escondidos Num velho tronco de oliveira Como os ninhos das poupas Talvez estejam no ventre da terra Como os ninhos das calhandras Talvez nas nuvens Talvez perdidos no mar. Talvez  eles próprios sonhem  Dentro na tua boca. Terei fazer depressa o caminho Para os apanhar Porque o mais certo É quererem voar Para o dorso de uma estrela cadente. HENRIQUE DÓRIA  

CREIO

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Creio Na morte como num antigo Hábito condenado E na imortalidade que vem Da palavra e do silêncio. Creio No mar verde da infância E no rio que nasce na minha mão direita. Creio Nos meus lábios dobrados Na noite e no amor Do teu corpo que escapa A toda a sabedoria. E subitamente Creio e não creio Que todas as estas coisas são Uma só. HENRIQUE DÓRIA Na morte como num antigo Hábito condenado E na imortalidade que vem Da palavra e do silêncio. Creio No mar verde da infância E no rio que nasce na minha mão direita. Creio Nos meus lábios dobrados Na noite e no amor Do teu corpo que escapa A toda a sabedoria. Creio e não creio Que todas as estas coisas são U ma só. Enter