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PRINCÍPIO DE UM LIVRO POR FAZER

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 No final do banquete, anunciado pela divina Penélope o discurso e o poema vencedores, anunciado também por ela o bafejado pela sorte no lanço de dados, dirá então a divina Penélope qual o glorioso prémio a atribuir aos ilustres vencedores  e ao protegido no lanço de dados pela coroada Tike que, na inconstância, governa o destino os homens. - Irmão pretendente Polibo, faz circular o saco das contribuições para este banquete em honra  da divina Penélope. Sabeis que a contribuição mínima neste ano feliz de sessenta e nove é de mil escudos. Em honra da divina Penélope a quem veneramos e que tudo merece em pagamento deste banquete  digno dos deuses, mil escudos será será sempre uma quantia pequena. Mas se o vosso amor  pela divina Penélope for realmente grande, podereis demonstrá-lo colocando no saco das contribuições o vosso contributo  envolvido no nome daquele que mostrou muito amar Penélope, deusa que todos nós, os eleitos, veneramos. Nisso a divina Penélop...

CORAÇÃO SOLAR INTENSO

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 Coração solar intenso Que estás sempre além  Do pensamento Do rio da memória Entre a tempestade e o vento No longo manto da lua Sobre o mar imenso Onde nos deitamos eu e ela Branca e nua Lágrima quente derramada Sobre um lenço. Sente nela o peito duma estrela O porto puro da vitória Exausto de alcançares o vórtice da glória. HENRIQUE DÓRIA  

PRINCÍPIO DE UM LIVRO POR FAZER

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 -Irmão mestre de cerimónias, vai ver se no átrio já se encontram os irmãos pretendentes escolhidos pela divina Penélope para participarem neste banquete. - Venerável e divino Antínoo, encontram-se no átrio doze irmãos pretendentes que foram escolhidos pela divina Penélope para participarem neste banquete. -Apresentai-nos esses nobres irmãos pretendentes, respeitável mestre de cerimónias. - Sim Venerável e sapiente Mestre. São eles os  excelentes Liodes de Coimbra, Anfínomo  do Porto, Agelau de  Aveiro, Eurínomo deViseu, Anfimedonte da Guarda, Demoptélomo da Covilhã, Pisandro de Bragança, Euríades da Figueira da Foz, Pólibo de Pombal, Euridamante de Lamego, Elato de Vila do Conde e  Ctesipo de Viana do Castelo. - Dá-lhes entrada magnífico irmão pretendente Liodes e encaminhai cada um para o lugar que lhe é destinado nas mesas do banquete. Enquanto eles se dirigem para os lugares que lhes destinou a divina Penélope, coloca a música que nos deve alegrar, irmão seg...

NÃO HÁ ESPAÇO MAS APENAS TEMPO

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  Não há espaço mas apenas tempo E o homem e Deus são só o alimento De milhões de anos. Coça as tuas chagas Job Lamenta os teus filhos mortos Por um capricho de Deus Por uma disputa insane  Entre o Nada e o Nada Chora de mãos postas Na muralha do Nada As tuas mãos vastas como a noite. Prepara a tua vingança Faz dos teus inimigos apenas ossos Do tempo Reveste a muralha com o sangue Dos guerreiros e das crianças Porque frente à face de Yavé Transformam-se os céus em cinza Derretem-se as cadeias de montanhas E a terra é tornada uma fornalha. Mas há de virar-se a ampulheta E o homem será então areia E Deus chorará a sua perda Sobre o Monte Sião Deus chorar-Se-á a Si mesmo Tremendo pelo Juízo Final Porque sem o homem O tempo O há de julgar O tempo O transformará também Em alimento do Nada. HENRIQUE DÓRIA

PRINCÍPIO DE UM LIVRO POR FAZER

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 - Já se foram os tempos de glória. Agora sou só um doutor de merda. - No último dia de cada mês acordava às seis da madrugada. Todos os meus camaradas dormiam ainda no Palácio da Loucura. Em silêncio ia para a cozinha, fazia uma caneca de café, saboreava-o como quem saboreia o tempo. Limpava os lábios a um rolo de papel higiénico pendurado num arame sobre a mesa da cozinha e dirigia-me depois para a casa de banho. Molhava a cara com água bem quente, espremia o creme de barbear sobre o pincel previamente molhado com água bem quente, esfregava-o na cara fazendo uma espuma abundante. Escanhoava-me cuidadosamente pois aquele dia era sempre um dia solene na minha vida. A loção que colocava depois da barba tinha um perfume suave que dava serenidade ao meu amanhecer. A sanita era o momento seguinte que me fazia sentir purificado junto de divina Penélope. Vestia o meu único fato que mantinha para os momentos marcantes da minha vida. Colocava uma gravata sanguínea e saia, calmamente, pela ...

ESCONDES-TE NO SILÊNCIO

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Escondes-te no silêncio Ignorando as horas Ignorando os sinos O grito de luz das sentinelas. Só há a noite e nós Estrelas que se cruzam Sem nunca se encontrarem Fazendo da felicidade um sonho Que ficou sob as sandálias.

PRINCÍPIO DE UM LIVRO POR FAZER

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 - Em geral, são medíocres, mas muito convencidos da sua excelência. -Ora merda para a merda. - Vou atirar pedrinhas, pedacinhos de ossos, ao rio Mondego para ver se ele acorda. -Deus te abençoe que eu amo esse teu corpo de águas moles e a tua alma de fumos de grandeza. Amen. - O que tem de mais elevado agora é a cabra da velha torre. - Está a derreter-se como uma barra de manteiga rançosa, como as escadas que conduzem à Sala dos Capelos. - Só se salva se lhe acrescentarem mais três pulmões. -Havia lá um homem com tomates, mas os tomates fizeram-lhe mal ao coração. Destruíram a muralha de aço. Não foram os deuses que o quiseram. Os deuses não querem poetas incómodos e ainda por cima com  grandes tomates. Os deus gostam de equilíbrio, de estátuas. - Um crente. Do outro lado da cortina, acreditava, muitos usavam joias.  - Anda cá cãozinho. Em democracia um bom cão tem cultivar a arte de bem saber dar a pata. - Há uma leão a cobrar portagem para se poder entrar. Tinha na mão...